terça-feira, 24 de setembro de 2013

A Educação e a Felicidade


Educação–liberdade–felicidade, sem dúvida, deve ser o caminho de todos nós, mas é preciso compreender de forma mais abrangente e profunda cada passo dessa trajetória. Essa é a reflexão que proponho aqui.

Primeiramente, confunde-se instrução com educação. Huberto Rohden (filósofo, educador e teólogo catarinense18931981), ao ser questionado em entrevista sobre o que pensava da Educação no Brasil, afirmou que “não existe Educação em nenhum país.” “...Em vez de Educação, deveriam chamar de Instrução: Secretaria da Instrução, Ministério da Instrução, etc.” (Educação do Homem Integral).
O que se oferece no currículo das escolas, de origem das secretarias e
dos ministérios, não pode ser entendido por educação. Em outras palavras,
a formação acadêmica, por si mesma, não dá ao homem a educação, nem o torna bom, pois encontramos homens com variados diplomas e títulos que não são educados; pessoas cultas, eruditas que demonstram em seu comportamento e caráter a falta da mais elementar educação. Paradoxalmente, temos a satisfação de conhecer pessoas simples, algumas socialmente excluídas, outras até analfabetas, sem nenhuma “instrução”, que são educadas até a beira da sabedoria.

A educação resulta de um processo de transformação, individual, que
se inicia com a aceitação, pela pessoa, das ideias a que tem acesso e que, assimiladas, com o tempo e sua prática repetitiva tornam-se hábitos, parte integrante de sua personalidade e seu caráter.  É assim que vai construindo sua moral e sua ética, que norteiam suas atitudes e seu comportamento.

Ainda com base no que nos diz Rohden, a partir do momento em que você conhece algo, você se liberta dele. Então podemos, realmente, afirmar que
a “educação” ou instrução (conhecimento) leva-nos à liberdade. Isso nos induz a incluir em nossa reflexão o autoconhecimento. A partir dele, nos libertaremos de nossos medos, de nossas incertezas e inseguranças. Aliás, não é esse o meio de que a psicanálise se utiliza para a “cura”?

Esse pensamento nos remete ao que nos disse outro filósofo: “Conhecereis a verdade e ela vos libertará.”

Continuando com Rohden, a educação só acontecerá com seu direcionamento para a autorrealização, a plena realização da natureza humana em sua totalidade. Nesse sentido, podemos também afirmar que a felicidade depende da educação.

Sabemos que a instrução, pela escola/ensino formal, pelos cursos de complementação, congressos, encontros, grupos de estudos e outros meios é fundamental para a aquisição de conhecimento, mas sabemos também que outras áreas que lidam com o pensamento e o comportamento, como a filosofia, a psicologia, e mesmo a religião, são imprescindíveis para a consolidação do conhecimento e a conscientização necessária para a educação.

Outro ingrediente atribuído à educação, apregoado pelas religiões, especialmente pelo Cristianismo, é o amor. Na verdade, ele sintetiza tudo
o que constitui a educação e está além dela. A educação é um estágio no desenvolvimento que leva ao aprendizado do amor.

Amar, segundo os sábios gregos, é praticar as virtudes (para Platão e Aristóteles, o homem não pode ser feliz praticando o mal; a felicidade está associada às ações virtuosas).

            Então, estendemos o caminho para a felicidade:
            Educação–liberdade–amor–felicidade.

                                                                                     Luiz Teodoro
                                                                                     Julho de 2013

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